HISTÓRIA
DA PROFISSÃO DE SECRETARIADO
A
SAGA DAS(OS) SECRETÁRIAS(OS)
Nos remotos dias de Alexandre
Magno, um secretário era "realmente" um secretário.
Para levar a cabo este encargo, em 300 a.C., você passaria a noite
em claro, entalhando uma tabuinha de cera com a espátula e todo
o dia seguinte retalhando o inimigo com uma espada. Esta era uma posição
de prestígio - porém perigosa - e, Alexandre Magno, unicamente
em sua campanha da Ásia, perdeu 43 Secretários.
Quando o Império Romano
atingiu o seu ápice, os Secretários trocaram as suas espadas
pelos deveres de simples escribas. Porém os Secretários,
em sua maioria, eram escravos e suas condições de trabalho
estavam longe de ser as ideais. Na Idade Média viram-se os secretários
novamente obrigados a lidar tanto com a espada como com a pena. No entanto
um grupo de escribas começou a combater astuciosamente este sistema,
adotando o hábito de monges. Assim sendo, em meados do século
XIV, 70% da classe Secretarial originava-se dos monastérios,
fato este nada surpreendente, pois naquela época os Secretários
eram todos homens.
As mulheres só surgiram
no cenário como Secretárias, quando Napoleão Bonaparte
levou uma a fim de registrar os detalhes das batalhas, a cada uma de
suas campanhas. Contudo, Josefina, mais do que depressa, objetou e,
finalmente, Napoleão contratou um homem quando de sua fatal invasão
a Rússia.
Foi o comércio americano
que recebeu o primeiro ataque da Secretária. Em 1877, a primeira
dentre esta nova raça, entrou timidamente num escritório
de Nova Iorque e orgulhosamente anunciou ser ela a nova Secretária
do Executivo. O homem explodiu, blasfemou, indagando o que estava acontecendo
ao mundo e já se inclinava para pegar o telefone e contratar
um homem. Deu-se, então o primeiro passo para a emancipação
feminina.
A jovem rompeu em prantos.
Seu executivo cedeu e a primeira mulher Secretária americana
levou os louros do dia.
Por volta de 1902, havia cerca
de 50.000 Secretárias mulheres e isto provocou uma série
de alterações nos escritórios. O relegado lavatório
brilhava, o tão inestético cuspidor desapareceu misteriosamente,
surgiram cortinas nas janelas e muitas foram as blasfêmias engolidas
pelos Executivos enrubescidos. Por todo país as mulheres invadiram
os escritórios e fincaram seus pés nas posições
conquistadas.
Um fato que influenciou o
aumento numérico de Secretárias foi o salário baixo.
Os homens exigiam e recebiam US$ 50,00 a mais por semana. As mulheres
trabalhavam por menos que um terço desse montante.
Entretanto, por volta de 1911,
já havia mulheres suficientes no ramo, para se reunirem e reivindicarem
salários mais altos, melhores condições de trabalho
e outros benefícios. Graças aos esforços dessas
pioneiras, os ordenados subiram para uma média de US$ 20,00 semanais
e a maioria delas conseguiu obter de seus Executivos uma semana de férias
(não remuneradas), por ano.
Finalmente, o maior benefício
resultou em utilizar-se o escritório como um feliz campo a caça
de homens elegíveis para futuros maridos. Este foi um choque
enorme aos homens americanos. Se eles não estavam mais a salvo
nos escritórios, que santuários lhes restava?
O que deu maior estímulo
à integração da mulher nos escritórios foi
a Primeira Guerra Mundial. Ela drenou a força de trabalho americano
e a mulher apareceu para substituir o homem, trabalhando como Secretária
e às vezes até em atividades executivas, bem como em outras
profissões. Havia procura e necessidade e as mulheres responderam
ao desafio. Este era um dos lados da moeda. Pois, um Executivo ao dar
baixa no serviço militar e ao reassumir suas funções
civis manifestou-se do seguinte modo: "nós ganhamos uma
guerra, mas perdemos a outra. Esta época será lembrada
como a da maior emboscada sofrida pelos homens em toda a História."
Após a guerra, a mulher
manteve sua posição tão arduamente conquistada.
Por volta de 1920 já havia 1,2 milhões de mulheres desempenhando
os cargos de Secretárias e Estenógrafas. Mudanças
drásticas sucediam-se, arrebanhando cada vez mais mulheres para
a força trabalhadora. Construíram-se casas e apartamentos
menores, que exigiam menos cuidados e trabalhos de manutenção,
alimentos enlatados, máquinas de lavar roupa, ferros de passar
elétrico e roupas feitas, deixaram as mulheres com mais tempo
livre à sua disposição. Os executivos, sem alternativas
diante das dramáticas vitórias conseguidas pelo sufrágio
feminino e pela crescente influência do Bureau Trabalhista Feminino,
começaram a aceitar a Secretária feminina como um fato
cotidiano da vida.
No começo da década
dos anos 30 havia três milhões de Secretárias e
os empregos continuavam a chover, inclusive durante os anos de repressão.
Prontamente, apareceu a Secretária como uma jovem distinta, ativa
em tudo do tênis à política. Surgiu a primeira dentre
as Secretárias Executivas. Datilógrafa e Estenografa,
e nasceu o intervalo do cafezinho!!!
A Segunda Guerra Mundial,
tal qual a primeira, levou a sua cota de mão-de-obra e a procura
por Secretárias aumentou à medida em que os negócios
progrediram. A prosperidade continuou e por volta de 1945 toda a força
de trabalho feminino cresceu dos seus 14 milhões, em 1940, para
o significante número de 20 milhões. A estatística
para 1960 era de 22 milhões e para os dias de hoje calcula-se
que 42% da população economicamente ativa seja do sexo
feminino.
Mas o papel da Secretária
de hoje mudou. Aos seus deveres tradicionais de taquigrafia e datilografia
outros foram adicionados, manipular e redigir cartas, marcar entrevistas,
reservar passagens, manipulação de modernos equipamentos
de escritório, acompanhar em viagens o seu Executivo, participar
de reuniões, cancelar e remarcar visitas e o desempenho de uma
grande variedade de pequenas tarefas como: redigir anúncios,
até a compra e escolha do presente do aniversário para
a esposa do Executivo.
E a Secretária do Futuro?
Segundo alguns peritos, as
Secretárias do ano 2.000 não precisarão tomar ditados
ou datilografar. Provavelmente, o Executivo vai ditar num microfone
ligado a um computador que registrará suas palavras para transcrevê-las
em forma de carta. Os deveres da Secretária vão constituir-se
primordialmente de Relações Humanas, Públicas e
de Responsabilidades Mecânicas. Ela vai necessitar de um maior
treinamento, a fim de que possa delegar os serviços para as altamente
sofisticadas máquinas de escritório. Assim sendo, suas
funções serão como Assistente Executiva e cada
vez menos como funcionária de escritório.
Ela vai trabalhar menos tempo
e perceberá um ordenado maior, além dos outros benefícios.
A decoração de seu escritório vai incluir gabinetes
compactos de microfones e uma verdadeira bateria de auxiliares eletrônicos,
que subtrairão muitas horas das tarefas atuais das Secretárias.
Empregando estas máquinas
como uma extensão de sua mente, a(o) secretária(0) de
amanhã terá uma oportunidade bem maior para desempenhar
sua contribuição individual na sociedade. Realmente, ela
será o oposto de seus colegas que entalhavam tabuinhas de cera,
entre as batalhas, para Alexandre Magno.
Fonte: Lucia Casimiro - Coterp