Ser
Secretária: as diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento
"Ser culto é pertencer a
todos os tempos e lugares, sem deixar de pertencer a seu tempo e lugar"
Otávio Paz
A
globalização responsável por acontecimentos bons e ruins, nos últimos anos,
intensificou os contatos internacionais das diversas organizações da profissão em todo
mundo.
Assim é que discutimos há mais de
quatro anos, discriminação atribuições, qualificação profissional, oportunidades no
mercado de trabalho, mudança da imagem e a evolução da profissão, sempre tendo o
cuidado de relacionar tais dados com os demais países.
A discriminação é semelhante em
todos os países - ressalvando-se as diferenças culturais - por estar mais ligada à
mulher do que à profissional.
As
atribuições estão mais claramente definidas em termos de assessoria e gerenciamento, o
que já existe há muitos anos em empresas de pequeno e médio porte, nas quais atuam
número reduzido de Executivos.
Em termos de qualificação
profissional as iniciativas são inúmeras: cursos de aperfeiçoamento profissional,
expansão de cursos universitários, reformulação dos cursos profissionalizantes,
criação de centros de desenvolvimento profissional, só para citar alguns exemplos.
A imagem da
profissão também mudou. Hoje o profissional de secretariado é respeitado e cada vez
mais a sociedade compreende melhor essa profissão, embora vez ou outra e ainda hoje
alguns autores de novelas ou piadistas insistam nos velhos modelos.
No que diz respeito às
oportunidades e desenvolvimento da profissão os dados são positivos, mesmo se
considerarmos o desemprego e o forte achatamento salarial dos últimos anos. Vale
ressaltar que o profissional de secretariado hoje é aquele que domina pelo menos mais um
idioma, além de informática.
A
tranqüilidade em apresentar, nesse 30 de setembro, dados tão positivos não é uma
atitude isolada. Um dado concreto pode ser mencionado: em todo o mundo o nome da
profissão está sendo discutido.
Resultado da evolução da
profissão o nome secretária em muitos países não atende mais a descrição das
atribuições e as responsabilidades que esse profissional assumiu nos últimos anos.
Tanto que esse assunto foi discutido nos Estados Unidos, Europa.
Com algumas
variações o resultado final dessa discussão é incluir o nome Assistente e suas
variações: Administrativo, Técnico, Financeiro etc. para completar o escopo de
atribuições e facilitar a vida das empresas.
No Brasil, como é hábito, a
nomenclatura diversificada - isto é os diversos apelidos que a profissão recebeu no
mercado de trabalho - existe há mais de 10 anos.
Precisamente
na época em que a profissão foi regulamentada, as empresas foram utilizando toda sua
criatividade para alterar os cargos e fugir da lei de regulamentação. Tanto que chegamos
a superar 500 cargos diferentes para o exercício da profissão, apenas para justificar
que o profissional não era secretário.
Vale lembrar que isto significava e
significa, por exemplo, que um médico não precisa mais cursar medicina para clinicar,
mas precisa exercer suas atribuições de médico, atender, diagnosticar, operar, medicar
etc.
Por caminhos
tortuosos, como é normal no Brasil, chegamos ao final de uma batalha que dura mais de 10
anos: fazer com que as empresas finalmente compreendam, quando negociamos, quem é
profissional de secretariado.
Em linhas gerais o profissional de
secretariado é aquele que desempenha as atribuições constantes de sua lei de
regulamentação associadas às demais atribuições que dependem da empresa onde atua,
levando-se em conta porte, ramo de atividade etc.
É claro que
mais de 500 nomes diferentes é um exagero. Talvez típico dos brasileiros. Mas
Assistentes, Auxiliares e Assessores diversos são na verdade profissionais de
secretariado, como está provado agora no mundo todo.
Essa não é uma questão de
representatividade, não é uma questão de interferência em outros sindicatos, ou mesmo
na empresa, mas uma realidade mundial.
Nossa
profissão cresceu, evoluiu e da mesma forma que há engenheiros ocupando cargos de
gerência, Administradores como Gerentes de Recursos Humanos, há profissionais de
secretariado que possuem vínculo empregatício como Assistente, Auxiliar ou mesmo
Assessor.
O fato é que a profissão cresceu,
se solidificou e fortaleceu, por estar centrada na informação, no trato com pessoas e
sua versatilidade permite estar presente em todos os segmentos, sejam eles econômicos ou
políticos, o que em tempos de desemprego ajuda muito em qualquer país.
Segundo as
associações internacionais era necessário uma alteração para abranger todo o
crescimento da profissão e refletir a expansão das responsabilidades. Na Europa e nos
Estados Unidos esse assunto já foi resolvido. Na ásia será discutido e estamos
trabalhando para que na América Central e do Sul possamos abrir espaço para essa
discussão.
Temos pois um novo e longo caminho a
percorrer, pois enquanto os países do primeiro mundo decidiram pela alteração do nome
fundamentados na evolução da profissão e do mercado de trabalho, no Brasil as empresas
decidiram trocar o nome dos profissionais de secretariado, para fugir da regulamentação
profissional.
Como
entidade de classe apolítica, apartidária e sem filiação a centrais sindicais,
centradas no diálogo e na busca de soluções vamos percorrer esse caminho com a certeza
e a tranqüilidade que nossa profissão realmente é uma das que mais crescem no mundo.
Portanto e em homenagem às
secretárias, assessoras, assistentes, auxiliares e ao crescente ingresso de homens na
profissão - no mundo todo - uma saudação especial: profissional de secretariado.
Parabéns por este dia 30 e por todos os outros também.