A Globalização e as Mudanças no Papel da Empresa, do Executivo e da Secretária.

Vamos nos situar no tempo e no espaço. Estamos no final do século 20, final de uma era que Hobsbawm qualifica como a Era dos Extremos, onde tudo aconteceu tão rápido que o século todo vai de 1914 a 1991. Entre os principais fatores dessa época destacamos três que são: No início desse século o mundo deixou de ser eurocêntrico, isto é, o mundo deixou de gravitar ao redor da Europa; o segundo é que o mundo se tornou uma unidade operacional básica para tornar-se transnacional, ou seja todos os países que tinham condições produziam; e a terceira e mais perturbadora é a desintegração de velhos padrões: relacionamento social e humano (ex. família) com isso a quebra de elos entre as gerações ou seja entre o passado e o presente. O século 21 começou portanto em 1992, em 2001 será apenas o Ano Novo.

Em termos de espaço o Brasil é considerado País de terceiro mundo, alguns dizem que 58º outros 63º em desenvolvimento social - que são as oportunidades que um país oferece ao seu cidadão em termos de casa, alimentação, educação e trabalho embora seja um dos países mais promissores do mundo quando se analisa as fontes naturais, parques industriais, extensão territorial.

Hoje países dominam o mundo, os sete mais ricos e da reunião do G-7, saem diretrizes para as mais diversas áreas, que devem ser aplicadas no mundo todo. Ou seja, nada do que acontece no mundo é por acaso, nem as guerras.

Esses países se reunem, no mínimo, duas vezes por ano e a reunião que ocorreu em fevereiro de 1995, em Bruxelas determinou alguns pontos que devemos conhecer.

O primeiro deles é que foi sedimentada a globalização no sentido comercial. O segundo promover a cooperação mundial com atenção especial aos países em desenvolvimento (dos quais o Brasil é o mais promissor). E o terceiro, métodos de educação e formação transculturais. Três exemplos de que isto vem ocorrendo: Mercosul, um sociólogo como Presidente e a importância da educação no Brasil, nos últimos anos.

Mas na verdade, globalização não é um tema novo, começou com o mundo, e se firmou a partir do início do século 20 como vimos, de maneira que nosso mundo hoje está dividido em blocos e não sabemos se serão apenas estes. O Brasil nesse sentido se projeta muito bem através dos blocos do Mercosul e Merconorte.

Com relação à educação nossa situação já não é tão boa pois não temos definida uma política de educação, ou seja, o que os brasileiros querem com a educação, como ocorre, por exemplo, no Japão, que a política de educação determina de uma formação global, enquanto a capacitação profissional fica por conta da empresa. Além disso perdemos muito nos últimos 20 anos nessa área, que foi a maneira de manter o Brasil como pais de 3º Mundo.

O mercado de trabalho portanto sofreu grandes transformações e ainda vem sofrendo. Temos um desemprego de causas diferentes hoje do que a 50, 20 ou 30 anos atrás. Hoje o desemprego se deve a uma nova forma de trabalhar, para um mercado que está se transformando cada vez mais, um mercado em transição. Essa nova forma de trabalho envolve tecnologias que substituem o homem em áreas de produção (ex. metalúrgicos) e serviços (ex. bancários); envolve também trabalhos temporários, part-time, em casa, sazonal, terceirizado, quarterizado e sabe lá o que mais virá.

Estes fatos seguramente afetam tanto a vida das pessoas - no caso Executivos e Secretárias - como a vida das organizações, que para sobreviver tem procurado diversificar seus objetivos, desenvolver parcerias (que não envolvam custos), adquirir novas formas de administrar pessoas, e novas formas de compreender as relações com os clientes. Daí surgiram muitas palavras que, às vezes, nós achamos que são novas e na verdade são bem antigas. Como, por exemplo, reengenharia - não existe nada mais antigo que fazer de novo, melhorar, aperfeiçoar - esse refazer é o que chamamos hoje de reengenharia.

A empresa brasileira hoje corre atrás do prejuízo de anos sem concorrência - ou melhor sem contato com o resto do mundo - de maneira que nem percebeu e nunca reclamou antes da alta tributação. Só quando foi lá fora é que percebeu o que acontecia aqui.

E o trabalhador - nesse item incluimos Executivos e Secretárias - hoje information workers - trabalhadores de informação, como vão competir nesse mercado?

É claro que se temos um mercado de trabalho novo, uma empresa nova, o trabalhador também necessita renovar.

O primeiro ponto é estar preparado para qualquer tipo e mercado, isso inclui qualquer porte de empresa, qualquer carga horária, qualquer ramo de atividade, qualquer localização.

Em segundo, vem o preparo que necessitamos para competir no mercado. Informática indispensável. A língua estrangeira idem, conhecimento da empresa e do ramo de atividade idem. Motivação é indispensável nos dias de hoje, pois ela vai fazer com que eu me mantenha atualizado e vai me forçar buscar um elo entre minhas aspirações pessoais e da organização onde trabalho. Hoje eu não faço parte, eu sou a empresa.

É uma boa época esta para reciclarmos nossos dados analisando os seguintes pontos:

Sua Expectativas: o quê você realmente quer a esta altura de sua vida e dos acontecimentos?

Suas Capacidades: em quê você realmente é bom?

Seu Temperamento: que tipo de pessoa você é e em quais situações você é mais produtivo e se sente mais satisfeito?

Suas Conquistas: quais vantagens você tem ou quais aspectos de sua história de vida você poderia usar a seu favor?

Finalizando, gostaria de colocar a seguinte questão: para qual tipo de mercado nossas escolas estão formando seus alunos? É importante percebermos para que tipo de mercado estamos nos preparando, que tipo de empresa tenho no pensamento.

Perceba que os desafios são muitos, mas as oportunidades nunca foram tão abundantes.

A entidade de classe que representa as profissionais de secretariado procura sempre manter-se atualizada. Para nós a globalização chegou em 1993, com a realização do 1º Simpósio Internacional de Secretariado, que uniu associações de secretárias do mundo todo, tirou conclusões e vem trabalhando desde então. Isso permitiu que nosso trabalho fosse reconhecido em todo mundo.

Outubro/95

Leida Borba de Moraes

  • Presidente do Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo.

  • Presidente da Federação Nacional das Secretárias e Secretários.

  • Presidente do Capítulo Brazil do IAAP-International Association of Administrative Professional.

  • Diretora de Assuntos de Seguridade Social da CNTC-Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio.

  • Comendadora da Ordem do Mérito Alvarista – Fundação Alvares Penteado – pelos bons serviços prestados à Educação no País.

  • Conferencista nacional e internacional.

Email: leida@mandic.com.br

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